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Céu cor-de-rosa

Como Arlete Vitória Ziolkowski se tornou a primeira mulher a pilotar um avião comercial no Brasil

Matéria publicada na edição 104 (Junho/2008) de Próxima Viagem


Comandante Arlete a postos: deu até na tevê

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Era outubro de 1986 quando, pela primeira vez na história da aviação comercial brasileira, uma mulher assumiu um posto na cabine de um avião, como co-piloto de um Boeing 737-200, da Vasp. Até chegar ali, Arlete Vitória Ziolkowski foi rejeitada por muitas companhias aéreas, prestou inúmeras provas, voou incansáveis oito anos ao lado do pai, comandante, fez testes, cursos teóricos, passou por simuladores e instruções de rota.

Em janeiro de 2002, Arlete subiu ainda mais alto e virou comandante. O primeiro vôo operado por ela partiu de Guarulhos com destino a Foz do Iguaçu, e deu até na tevê. "Depois que apareci no Fantástico, o telefone da minha casa não parava mais de tocar", lembra a comandante. "Todo mundo queria me dar os parabéns."

Os cumprimentos vinham não só pelo telefone. Em uma de suas primeiras viagens no comando de uma aeronave, Arlete decolou de São Paulo rumo a Porto Alegre. Era por volta das 11 da noite quando fez contato com o Centro de Controle de Curitiba. Um amigo, também comandante, que voava na região no momento reconheceu a voz dela no rádio e brincou: "Arlete, parabéns". Logo em seguida, os controladores de Curitiba, que tinham estranhado a voz feminina, entenderam que se tratava dela, a primeira mulher a comandar um avião, e também a felicitaram: "O Centro de Curitiba também parabeniza pela sua entrada". Poucos instantes e: "A Varig também parabeniza pela sua entrada". Arlete era uma das estrelas no céu naquela noite.

Apesar da boa recepção dos colegas de profissão, a comandante ouvia com freqüência os comissários falando sobre a reação de surpresa e, às vezes, de desaprovação dos passageiros quando ela fazia o speech, aquele discurso de apresentação da tripulação durante a decolagem. Teve passageiro que se recusou a continuar no avião ao saber que uma mulher estava no comando. Uma argentina foi mais longe. Depois de visitar a cabine de comando, comentou com o marido: "Acho normal homem usar brinco, mas para um piloto da Vasp isso é demais." Quando lhe falaram que se tratava de uma mulher piloto, a passageira voltou à cabine para conferir e exclamou: "Es una chica!" Depois de mais de 15.000 horas de vôo - na maioria, rotas nacionais - e com os pés em terra firme depois da aposentadoria, o balanço final de Arlete é positivo. "Acho que fui muito bem aceita e ainda dei uma moralizada no trato e no jeito de falar dos comandantes quando eles estão no ar."