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Stupid bureaucrats

Os países deveriam, sempre, sentir-se honrados com os viajantes que os procuram - tenham estes o objetivo que tiverem

Mr. Miles

Matéria publicada na edição 102 (Abril/2008) de Próxima Viagem


Osvaldo

Como assim não sou bem-vindo?


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Não poderia ser diferente. Um contingente de leitores indignados escreveu a mr. Miles, incitando-o a execrar o comportamento da Espanha em relação aos viajantes brasileiros, que vêm sendo barrados e, muitas vezes, deportados sem qualquer critério - exceto a avaliação onipotente e arrogante dos agentes de imigração. Nosso viajante que, como se sabe, é um apreciador das coisas espanholas (mais das espanholas do que das coisas, ao que consta), manifesta sua irrestrita solidariedade aos reclamantes. "As you know, my friends, há três coisas que me incomodam sobremaneira: doses malservidas, mulheres recauchutadas e controles fronteiriços. Sou um inimigo figadal da imposição de vistos de viagem porque não aceito que nações sejam consideradas propriedades privadas. Sei, however, que será preciso que viajemos muito ainda até os povos perceberem que sua história, sua cultura e suas escolhas deixaram de lhes pertencer no exato momento em que passaram a interessar ao resto do mundo. Só não são atraentes os países que não têm nada a oferecer. Os demais, including Spain, of course, deveriam, sempre, sentir-se honrados com os viajantes que os procuram - tenham estes o objetivo que tiverem."

"Nunca é tarde para lembrar, fellows, que somos todos, mais ou menos longinquamente, forasteiros nas terras em que vivemos. Eu mesmo, for Christ's sake, devo provir de alguma dinastia celta que há de ter vagado por territórios diversos antes de, sabiamente, optar por instalar-se no Condado de Essex. O que dizer, então, dos ibéricos, cujas belezas derivam da justaposição de nacionalidades? Que têm a alma impregnada de valores muçulmanos, judaicos, romanos, austríacos, ciganos, bascos, catalães e asturianos, just to mention a few of their influences? Thank God, my friends, o episódio tacanho a que vocês se referem não é manifestação representativa da alma calorosa dos espanhóis. Dezenas de outros países já agiram ou agem da mesma maneira, inclusive - shame on us! - minha própria e Grande (sometimes) Bretanha. Chego a ver those stupid bureaucrats reunidos para (em razão de algum episódio passageiro) enlamear a honra de uma nação, outorgando poderes discricionários a reles carimbadores de passaporte.

It's disgusting, isn't it? By the way, considero compreensível, but definitely stupid, a política de reciprocidade que vossa legislação adota. Não será devolvendo inofensivos viajantes espanhóis que o Brasil salvará sua honra. Quando muito, permitam-me dizer, essa retaliação doerá (for a long time) no bolso dos que investem no negócio de turismo em um país ainda muito aquém do volume de visitantes merecido. Se a idéia for vingar-se dos conterrâneos de my dear Penélope Cruz, sugiro que os submetam, logo ao chegar, a três garrafas de conhaque de alcatrão ao som do MC Serginho e Lacraia. De minha parte, fellows, vou seguir transitando pelo planeta que me pertence. Quanto às portas fechadas, vou, of course, evitá-las. São áreas infectadas. Voltarei depois da quarentena."

QUEM É ELE? Mr. Miles é o homem mais viajado do mundo. Ele esteve em 130 países e em sete territórios ultramarinos até sua última contagem, que, diga-se, há anos não é atualizada.