Assine Próxima Viagem

Em Londres como um Lord

Visitamos várias jóias da coroa. Entre elas, o salão de chá do Ritz, o açougue mais chic da história, a loja do sobrinho da rainha e o endereço onde foi inventado o chapéu-coco

Walterson Sardenberg

Matéria publicada na edição 101 (Março/2008) de Próxima Viagem


Walter Craveiro

Os docinhos do Ritz são os complementos ideais para o chá das cinco

Veja mais imagens desta matéria

 
 

ver álbum de fotos

Tamanho de texto pequeno medio grande

A loja Turnbull & Asser é a melhor camisaria da história. Aqui, David Niven mandava fazer foulards. Alec Guinness, paletós. Winston Churchill, roupões. A propósito, o roliço primeiro-ministro era conhecido entre os atendentes pelo código CW 02, evitando os bisbilhoteiros. Rigorosa, a Turnbull & Asser encomenda seus cashmeres na Escócia, para alegria do escocês Sean Connery, outro cliente, e até do príncipe Charles. O quase sessentão marido de Camila (ele completará em 14 de novembro seis décadas à espera do trono) incluiu a loja entre os seletos endereços by appointment. Traduzindo: fornecedor oficial da Família Real.

Fazer uma camisa nesse enclave dos dandies é um ritual de 123 anos. Uma vez escolhido o tecido e tiradas as medidas, a encomenda será entregue em cinco semanas. É possível enviá-la ao Brasil? A Turnbull & Asser descarta. O entrave: três semanas após a encomenda, cabe ao cliente experimentar a primeira versão, costurada em tecido menos precioso. Se necessário, serão realizados os milimétricos ajustes para o produto final. Antes dos lucros, preza-se a excelência. Sorry, sir, há um nome a zelar. Nem tudo em Londres ainda funciona nesses moldes. O reino mudou de modelo. Do vasto império comandado pela rainha Vitória (uma senhora de 66 anos, quando a Turnbull & Asser foi inaugurada), restaram na penteadeira apenas duas colônias: a Gibraltar e as Falklands. Também as conquistas sociais trabalhistas encolheram depois da eleição da senhora Thatcher. Ela diminuiu o orçamento para adequar a ilha à sanha neoliberal, com a disposição com que Mary Quant encurtara, duas décadas antes, as saias das jovens londrinas. Da mesma maneira, a draconiana moral que levou ao cárcere o escritor Oscar Wilde no século 19, por não ser prudente em relação ao homossexualismo, mudou um bocado em 1957, quando tal escolha sexual deixou de configurar crime e, mais ainda, nas recentes bodas de Elton John e do maridão David Furnish, unidos com a aprovação das Câmaras dos Lords e dos Comuns.

Nesta cidade remodelada, não resistiram nem os pombos da Trafalgar Square, dizimados a mando do atual prefeito, nem o formato do vetusto jornal The Times, transformado em tablóide e, tampouco, os roundmasters, os veneráveis ônibus de dois andares. Para repúdio dos puristas, eles vêm sendo trocados por outros veículos. Embora também de dois pisos, os substitutos são menos poluentes e mais espaçosos. E muito mais feios. Já não cabem em Londres o relógio de bolso, o music hall e nem mesmo o Boy George. Ainda assim, seria ofensivo tratar por bizarra antigüidade o imperturbável rigor da Turnbull & Asser. Não se trata de nostalgia exclusiva, de anacronismo solitário. Em muitos outros endereços londrinos ainda se cultiva a elegância secular. Nesses redutos, desdenha-se a frívola ansiedade em mudar o figurino a cada estação - até porque as estações não variam tanto assim na chuvosa capital do Reino Unido.

E por que haveria de ser revisada a tradição do chá da tarde, legado do século 19? Embora se tenha originado na aristocracia - quando a duquesa de Bedford decidiu fazer uma boquinha entre o almoço e o jantar -, a prática vespertina incorporou-se, sem cerimônia, ao modo de vida da ilha. Ou, com toda a cerimônia, no caso do Hotel Ritz. O chá do Ritz exige terno, gravata, 37 libras (ou 150 reais), nenhuma pressa e todo o respeito pela solenidade no salão de 102 anos - onde tudo o que reluz é, de fato, ouro. Já não se vê o impecável maître Michael Towmey, que zelou pela etiqueta do recinto no decorrer de quatro décadas. Fora isso, o ambiente permanece tão imutável quanto as casacas dos garçons, a cor pastel das louças e as bandejas de três patamares, acomodadas na mesa. Deve-se começar pela superfície mais baixa da bandeja, onde estão dispostos os delicados sanduíches. O degrau do meio é reservado aos scones, bolinhos em que se insere o creme clotted. Por fim, degustam-se os doces.

Lembremos: não se deve estranhar o hábito de adicionar leite ao chá. O costume remonta há exatos 350 anos, quando as primeiras levas do produto foram trazidas do Oriente. Quem explica é Stephen Twining: "O leite frio começou a ser agregado por uma única razão: temia-se que a quentura do chá trincasse a delicada porcelana chinesa". Quem é o senhor Twining? O mister entende do mistér. Stephen comanda a décima geração de um clã tão dedicado ao chá quanto a monarquia ao protocolo. O negócio da família foi iniciado em 1717. Hoje, o chá Twinings é vendido em 115 países (inclusive na China). Mas sua loja-sede - by appointment, claro - ainda mantém a acanhada fachada de 3 metros, espremida entre dois edifícios. A elegância pode fazer lords; jamais, alardes. Na maioria das grandes capitais confunde-se o requinte do comércio com a concentração de grifes internacionais em espaço amplo. Londres também tem endereços do gênero. Basta caminhar pela Regent Street. Ou ao longo da Oxford Street, com 3 quilômetros de extensão, 3000 lojas e 50000 lojistas. Não seria, no entanto, perda de tempo constatar que a vitrine da Montblanc é idêntica àquela instalada na Oscar Freire? Melhor ir à Twinings. Ou, então, percorrer a passarela da galeria Burlington.

Quando inaugurada, na primeira metade do século 19, os clientes jamais carregavam sacolas de compras. Era função de serviçais. Mulheres sozinhas também não freqüentavam as quarenta lojas. Já os homens solitários eram muito bem-vindos. Expliquemos: em certas lojas, a discreta luz vermelha à porta (aqui começou essa tradição) indicava a presença de comerciárias dispostas a outros fins. O gentleman interessado nelas e nesses últimos deveria perguntar: "A senhorita não se importaria de receber um presente?". Era a senha. Escolhido o regalo, a lojista o retribuía no andar de cima. Tudo por meandros sinuosos. Cochichos percorreram as altas rodas masculinas em 1862, quando morreu uma das cortesãs, a senhorita Parsons. A autópsia revelou o segredo: mrs. Parsons era um cavalheiro. Livre do comércio paralelo, a Burlington reúne lojas exclusivíssimas - adotemos o superlativo, embora o inglês despreze o uso desse sufixo. Aqui estão a Hancocks (que faz as medalhas oficiais, oferecidas pela Família Real a quem de mérito), a Polistas (onde os príncipes William e Harry escolhem trajes e equipamentos para a prática de pólo) e a The Vintage Watch, cujo nome moderninho esconde, ano a ano de fabricação, a maior coleção de relógios Rolex do cosmo. Mais que impulso, é preciso pulso para pagar o equivalente a 44 000 reais por um modelo de 1926. Recado para nosso Luciano Huck: ao menos não atrai os gatunos de farol.

Os preços na Burlington são inacessíveis na real (e com o real), sobretudo nesses tempos em que a libra esterlina é ainda mais forte que a mostarda inglesa. O deleite de viver grandes dias britânicos, todavia, pode custar pouco. O vivaz escritor Bill Bryson listou os programas baratos para se fazer em Londres: "É o melhor lugar do mundo para pôr uma carta no correio, caminhar, assistir à TV, comprar um livro, sair para tomar um trago, ir a um museu, usar os serviços de um banco, perder-se, buscar auxílio ou ficar de pé numa colina observando a paisagem". E olha que Bill Bryson é americano! Sabendo escolher, os programas podem não custar absolutamente nada. Os quatro principais museus (British, Tate Gallery, Victoria & Albert e a National Gallery) não cobram nem um penny sequer pelo ingresso. Registre-se ainda o livre acesso à British Library, a espetacular biblioteca municipal, com 20 milhões de livros. São 600 quilômetros de prateleiras, ou 200 a mais que a distância entre Rio e São Paulo. E sem pedágios! No acervo, encontramse originais de Jane Austen, Leon Tolstoi, partituras de próprio punho de Mozart e a letra de A Hard Day's Night, com a desleixada caligrafia de John Lennon.

Caminhar por Londres também sai de graça, se, bem entendido, você estiver usando um tecido que não encolha com a chuva - não precisa ser da Turnbull & Asser. Andar pela capital é deparar com a singular arquitetura inventada no século 18 por Christopher Wren, autor dos crescents (os prédios em meia-lua) e da formidável Catedral de Saint-Paul (110 metros de altura), onde o túmulo do projetista exibe o imodesto, mas justificável, epitáfio: "Se queres um monumento, olha em volta". Uma frase lapidar. Percorrer os sete parques abertos aos súditos pela realeza também sai de graça. O St. James Park não é tão gigantesco quanto o Hyde Park. Tampouco contém um palácio, como Kensington, onde nasceu a rainha Vitória. Destaca-se, no entanto, pela tranqüilidade. Ela só é abalada, de hora em hora, pelas badaladas do Big Ben - na realidade, o nome do sino de 17 toneladas, e não do relógio. O St. James Park é muito ligado à Família Real: nele começa The Mall, a avenida de piso vermelho que desemboca no Palácio de Buckingham. Em comum, deve-se ressaltar, todos os parques exibem admiráveis gramados. Ingleses dedicam-se com afinco aos papéis de parede, à previsão do tempo e aos jardins - e só neste último caso a umidade ajuda. Lembre- se de que até as partidas de tênis em Wimbledon são disputadas na grama. Conta-se que um boquiaberto americano perguntou qual o segredo para manter gramados tão perfeitos. A resposta, britânica até a última raiz: "Não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. Basta preparar a terra, plantar e, depois, aparar todos os dias, durante dois ou três séculos".

Conhecer diversas cidades em uma só é outro motivo para gastar a sola dos sapatos - sobretudo se os calçados forem das marcas Jimmy Choo (para mulheres) e Church's (para mancebos). Pode parecer um clichê mais surrado que a vítima de um hooligan, mas Londres, de fato, são várias. A começar pelo Centro, dividido entre a City (o núcleo financeiro e empresarial) e Westminster (a sede política, aristocrática e religiosa). Mas é nos bairros que você descobre cidadezinhas singulares. Temple é a área dos advogados - portanto, cuidado! Mayfair, a dos chics. Camden já foi dos irlandeses; agora, é dos darks, clubbers e extemporâneos bichos-grilos. Chelsea era dos artistas (o pintor francês Claude Monet, inclusive), mas ficou caríssima e cool. O Soho foi reinventado pela swimming London dos anos 60; e, mais tarde, fracionado em áreas de agito e outras gays, além de incluir o trecho oriental. Já Brixton é dos jamaicanos. Assim como Wembley, dos indianos. A acolhida a jamaicanos, indianos e demais imigrantes ganhou maior incentivo depois da independência das colônias, no pós-guerra. Não foi esporádica concessão. A história contribui para a fama de centro cosmopolita - a mais nobre elegância da metrópole.

Londres deu exílio a Lênin, Trotsky, Freud, Marx (aqui, ele fez de tudo para concluir O Capital), Caetano Veloso (aqui, ele fez "London, London") e até a Pinochet (aqui, ele fez que não fez). Dos 8 milhões de habitantes, estimam-se 3 milhões de estrangeiros, contando o italiano Fabio Capello, técnico de um orgulho nacional: o English Team. Entre os saborosos resultados desse blend de culturas está a inacreditável vitalização da culinária britânica. Convenhamos: a comida dos 7 000 pubs não prima pela originalidade - peixe com batatas, pescoço de carneiro, tripas suínas e rins bovinos -, mas não se pode dizer o mesmo, por exemplo, de Heston Blumenthal, chef do Fat Duck, a meia-hora da cidade. Entre outros arroubos, ele criou o estranhíssimo sorvete de bacon com ovos.

Se os restaurantes londrinos foram acusados de juntar o insípido ao insosso, hoje até os franceses reconhecem sua qualidade. Logo eles, esnobes, que fazem troça por não haver em inglês uma expressão equivalente a "bom apetite". Pois o Guia Michelin concedeu três estrelas - o mais alto grau - ao Gordon Ramsay, casa que leva o nome do dono, um escocês boca-suja, astro da TV e péssimo patrão - embora um chef superb. Já o Pied à Terre, restaurante do australiano boa-praça Shane Osbourne, tem uma estrela a menos. Mas também é o máximo. O rol dos excelentes inclui, ainda, o Foliage, do chef Chris Staines, e os indianos Quilon e o Rasoi, comandados, respectivamente, por Sriram Aylur e Vinnet Bhatia. Os três mereceram uma estrela no guia francês. Quem caçoa da culinária inglesa jamais entrou, é bem provável, na seção de alimentos das primorosas lojas de departamentos Fortnum & Mason (301 anos de existência) e Harrods (159 anos). A primeira exibe o mais chic açougue já visto no decorrer dos séculos. Boa parte das peças é trazida da fazenda do príncipe Charles, na Escócia. A Harrods, por seu turno, permanece sublime, vendendo deliciosos queijos ingleses - sim, cheddar, cheshire, derby e stilton, entre outros -, embora os britânicos olhem de soslaio para o atual dono da loja, o senhor Al-Fayed. Se você não está ligando o nome à pessoa, trata-se do pai de Dodi, aquele namorado de Lady Di quando do trágico acidente em Paris.

Por sinal, Al-Fayed mandou instalar na Harrods uma escultura de bronze do falecido casal, que ele reputa ter sido assassinado. Há quem gaste tempo admirando a estátua, de discutível valor estético. Outros preferem a seção de automóveis, em que o modelo mais em conta de um Maserati custa 314 000 reais. Será que Al-Fayed faz em três vezes no cartão? Se andar não custa nada - assim como também sai de graça visitar o Parlamento (só de agosto a setembro) e o Palácio de Buckingham (no mesmo período, quando a rainha está de férias na Escócia) -, a diária nos hotéis pode valer acima de 2000 reais no Langham (143 anos) ou no Mandarin Hyde Park (num prédio que há 109 anos é dono da melhor vista do Hyde Park). Quem mandou você abrir as malas em aposentos em que dormiram príncipes e estadistas? Já um pequeno armário de madeira para guardar armas de caça na loja Linley sai por 360000 reais. O cliente paga pela exclusividade e pelo meticuloso trabalho em marchetaria. Embutido no preço está, ainda, o privilégio de contar aos amigos, como quem não quer nada, que o móvel foi criado pelo visconde David Linley, filho da princesa Margareh com lord Snowdon, querido sobrinho da rainha Elizabeth e manda-chuva da casa de leilões Christie's. Que conste em ata: a loja também vende pequenos objetos de madeira, mais acessíveis, desde que você não converta os preços em reais, claro.

Para quem busca o máximo de tradição gastando o mínimo de libras - bem, talvez seja o nosso caso - é recomendável entrar na chapelaria Jack Lock & Co. A loja funciona há 332 anos e seus bonés de tweed cabem em qualquer mala como, sobretudo, em nosso orçamento. Comprar na Jack Lock também garante status. A loja inventou o bowler, o chapéu-coco imortalizado por Charles Chaplin, Oliver Hardy e pelo nosso colunista mister Miles. Como seria de supor, a singular criação da casa já não é o carro-chefe das vendas - hoje, primazia dos bonés e dos chapéus femininos, em especial daqueles destinados às espectadoras das corridas de cavalo em Ascot. Mas uma loja que serviu ao almirante Nelson e a lord Byron jamais perde o élan. Oscar Wilde também foi cliente. No século 19, o dono da Jack Lock perdoou o escritor não ter pago sua derradeira conta. Era compreensível: antes de arcar com a despesa, Wilde foi encarcerado. Um século depois, um certo Royston du Maurier, exaltado fã do escritor, fez questão de quitar a dívida e tirar da inadimplência a memória do literato. Como já disse Luis Fernando Verissimo, Londres espelha "uma civilização que só não deu certo porque o resto da humanidade, infelizmente, não é inglesa".

Du Maurier não quer confetes para sua atitude de gentleman. Apenas fez um reparo histórico. Wilde agradeceria. Assim como aplaudiria a recuperada saúde do Tâmisa, em sua época um rio fétido, vergonhoso. Concluída em 1982, a limpeza é motivo de orgulho. Até os salmões voltaram a freqüentar o Tâmisa. Atravessar uma de suas 34 pontes apenas para se divertir tornou-se in (isto é, se a expressão não se tornou out). Em especial, a arrojada Ponte do Milênio, inaugurada na dobrada do próprio e reservada aos pedestres. Para os visitantes, a recobrada margem - outrora esquecida - do Tâmisa já não é só o melhor mirante para fotografar a Torre de Londres e o skyline da cidade. Agora, o ex-patinho feio está nadando glorioso, em especial na área conhecida como Southbank, onde despontam a galeria Tate Modern (com sua esplêndida coleção de artistas contemporâneos), o renascido Mercado de Borough e o novo prédio da prefeitura, erguido pelo Christopher Wren de hoje, Norman Foster. O edifício circular, não bastasse a invulgar beleza, permite uma vista de 360 graus para quem sobe ao 9o andar. E mais: o projeto é metafórico em relação ao poder. Como deveria ser a política nesses tempos bicudos, ele se revela totalmente transparente, sem portas dos fundos, sem subidas escondidas e construído para se observar de todos os ângulos a atuação da Assembléia. Em Londres, a elegância mantém o ajuste artesanal da loja Turnbull & Asser. Mas também pode ser absolutamente moderna.

COMPLEMENTOS IDEAIS
Você prefere uma camisa ou um paletó estilo jaquetão da chiquérrima loja Turnbull & Asser? Sarney, provavelmente, faria a primeira opção. Mas, evidentemente, camisa e paletó se completam. Assim como os docinhos com o chá do Ritz. E como também passou a acontecer com as duas margens do Rio Tâmisa. A margem sul não tinha maiores atrativos. Hoje, reúne teatros, mercados, galerias de arte. Muitos visitantes atravessam a Ponte do Milênio para conhecê-la.

ARTE COM BRITADEIRA
Os prédios de Chelsea (ao alto) abrigaram artistas e boêmios. Isso mudou. O bairro ficou caro demais. Agora, acolhe parte da elite financeira. É mais fácil, claro, achar artistas na Tate Modern, a galeria com um fantástico acervo de arte contemporânea. A rachadura no chão, acredite, é uma "instalação" da artista colombiana Doris Salcedo.

VISTA DE 360 GRAUS
O City Hall foi inaugurado em 2003. É o prédio da prefeitura de Londres. Subir de elevador até o 9o andar é programa imperdível. Lá do alto, o visitante tem uma impressionante vista de 360 graus - com destaque para o Rio Tâmisa e a Torre de Londres. Se você vier até aqui, esqueça o elevador na hora de descer. A escada em caracol é suave - e também impressionante.

O BIG BEN COMANDA O CHÁ
No Parlamento, 659 deputados da Câmara dos Comuns e os quase 700 representantes da Câmara dos Lords legislam sobre o Reino Unido. O Big Ben os informa sobre a hora do chá, tradição bem representada por Stephen Twining. Já a cozinha do restaurante Rasoi revela a grande influência dos indianos na metrópole.

HORA MARCADA COM O CHIC
Entre as muitas obras do fantástico arquiteto Christopher Wren, no século 18, está o Royal Hospital Chelsea, hoje abrigo para veteranos de guerra. Já o Gorig Hotel e a galeria Burlingon acolhem o supra-sumo do chic. Como a loja Vintage Watch, que vende históricos relógios Rolex.

O BOCA-SUJA E O MAGNATA
Entre os 7000 pubs da capital, há endereços requintados. Como o Devonshire, em Chiswick, antigo bairro dos leiteiros. A casa foi montada pelo boca-suja (mas ótimo) chef Gordon Ramsay. A Harrods é um endereço consagrado. A despeito de pertencer agora ao senhor Al-Fayed, polêmico (mas riquíssimo).

GENTE DE LONDRES: mesuras e fidalgos


Em matéria de elegância não há cidade igual. Esqueça punks, hooligans e a Amy Winehouse. Pense nos motoristas. Eles fazem a mesura de deixar você atravessar a rua, mesmo que tenham a preferência. Lembre-se, também, da recém-falecida princesa Margareth. Sem perder a classe, a irmã da rainha Elizabeth II inaugurou a era das princesas modernas. Era fã de música, cinema, literatura, viagens e amiga de David Bowie (enfim, um roqueiro tão elegante quanto Ray Davies, dos Kinks, jamais um dedicated follower of fashion). Margareth, aliás, casou-se com um artista do grand monde, o fotógrafo Lord Snowdon, que registrou o mundo da moda com o mesmo requinte do colega Cecil Beaton (estrela da revista Vogue desde 1929). Já os grandes escritores ingleses eram dandies tão refinados que fariam o americano Tom Wolfe atirar-se na fogueira das vaidades. Recorde de George Gordon Noel Byron (aliás, Lord Byron), de seu contemporâneo Percy Shelley, de Oscar Wilde e de Bertrand Russell (aliás, filho do Lord Russell). Atores, também, primaram (e primam) pela elegância. É só pensar nas damas Vanessa Redgrave (filha de sir Michael Redgrave) e de Charlotte Rampling (foto). Ou do proto-multimídia Nöel Coward. E que tal sir Lawrence Olivier, sir John Gieguld e David Niven? Eles retribuiriam a fidalguia dos motoristas, tirando o chapéu.