Um vôo pelos trilhos
Ousadia da engenharia do século 19, a ferrovia de Curitiba a Morretes continua em atividade - e provocando arrepios
Matéria publicada na edição 100 (Fevereiro/2008) de Próxima Viagem
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A viagem de trem entre Curitiba e Paranaguá provoca arrepios desde 1885, quando foi inaugurada visando à integração entre capital e litoral paranaenses. Na época, causava ainda mais calafrios, com a lembrança de que mais de 4 000 operários morreram durante os cinco anos de sua construção. A obra foi mesmo ousada: são catorze túneis, trinta pontes e viadutos.
Desativada durante algumas décadas, a linha foi retomada - no final dos anos 90 - com passeios turísticos. São dois trens diferentes: o convencional, com classes econômica e turística e um camarote para seis pessoas, e a litorina, trem com grandes janelas panorâmicas, ar-condicionado e serviço de bordo, que inclui bebidas e lanches.
Vale a pena investir num passeio na litorina para curtir a vista espetacular - apesar do salgado ingresso de 118 reais. Mesmo dentro do vagão, você tem a sensação de tocar as árvores, numa das regiões mais preservadas da Mata Atlântica em todo o país. A viagem acontece diariamente no trecho Curitiba-Morretes. Já o roteiro até Paranaguá, que pouco acrescenta ao trecho anterior, só acontece aos domingos.
Os horários são estratégicos: você sai de manhã de Curitiba, chega na hora do almoço em Morretes. Cidade histórica, com construções do século 18 bem preservadas, Morretes é famosa por seu prato típico, o barreado, um cozido de carne em panela de barro. Depois do almoço, há a opção de voltar de van para Curitiba. Mas, sem dúvida, o bom mesmo é terminar a viagem de trem, com a cabeça entre as nuvens e a mata.












