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Na pista certa

A Serra do Rio do Rastro, na gelada Serra Catarinense, é famosa por sua estrada, uma delirante seqüência de curvas e abismos

Matéria publicada na edição 100 (Fevereiro/2008) de Próxima Viagem


Valdemir Cunha

O asfalto desce colado à Serra do Rio do Rastro, em bela seqüência de curvas

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Do alto, o traçado da estrada que desce a Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina, parece ser só um desenho na montanha. Soa impossível que as linhas sejam de asfalto e que os carros passem ali, curva após curva, entre os paredões e o abismo. Esse trecho da SC-438, de Bom Jesus da Serra a Lauro Müller, tem só 15 quilômetros e é a cereja do bolo da região mais fria do Brasil. Para chegar aqui, é preciso passar por São Joaquim, onde a neve costuma aparecer entre junho e agosto.
Devido ao clima sempre enevoado, a paisagem da estrada fica mais evidente durante a manhã. Suba e desça para sentir a diferença no cenário. Recomenda-se também voltar à noite ao mirante, a 1460 metros de altura, para apreciar as mesmas curvas com iluminação. Depois, vá esquentar-se com os produtos locais - o frescal (um tipo de carne-de-sol), o pinhão e a maçã. São Joaquim, vale ressalvar, ainda tem pouca estrutura turística, com só um punhado de restaurantes. Por isso, é prudente planejar a estada para não deparar com portas fechadas.
Depois de passar pelo Rio do Rastro, fique ainda mais atento: na Serra do Corvo Branco, em Urubici, a estrada é ainda mais alucinante que sua vizinha mais conhecida. No trecho mais impressionante, são 5 quilômetros em terra com paredões de pedra, curvas de ângulos impossíveis, penhascos e uma paisagem de montanha rara no país - que pode, inclusive, ficar coberta de neve durante o inverno. Só não pode ir quem enjoa.