Uma pitada de exotismo
Só no Mercado Ver-o-Peso, em Belém, encontra-se a mistura de sabores amazônicos e nordestinos, além dos mais estranhos artigos
Matéria publicada na edição 100 (Fevereiro/2008) de Próxima Viagem
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Ao passear pelo mercado, que fica bem no centro da cidade, à beira do Rio Guajará, você pode nem se dar conta de sua estrutura bela e conservada, toda de ferro, fabricada na Escócia e trazida da Inglaterra há quase 200 anos. Nada poderia estar mais distante da austeridade de sua origem. Ao lado dessa estrutura britânica, juntam-se mais de 1000 barracas coloridas e falantes, num desdobramento de várias feiras livres, que começam bem cedo e só terminam depois da inevitável chuva da tarde, tão forte quanto passageira.
É do mercado que saem ingredientes para a fantástica gastronomia paraense, repleta de emulsões e temperos típicos únicos. É o caso do tacacá, uma sopa quente derivada da mandioca, servida com camarões entre as 4 da tarde e as 8 da noite (que todo mundo compra em barracas e toma na rua mesmo). Vêm também do mercado as emulsões do pato no tucupi, que leva folhas de jambu e provoca dormência nos lábios.
Belém também se orgulha de suas frutas - e dos sorvetes feitos delas, como os servidos na rede de sorveterias Cairu, com treze endereços na cidade. Tem de bacaba, camu-camu, uxi, bacuri, taperabá, cupuaçu, castanha-do-pará... Só não tem de açaí, porque na Amazônia ele acompanha salgados, como carne-seca e peixe frito. As frutas podem ser encontradas in natura no Ver-o-Peso. Vá bem cedo, prove de tudo um pouco, sinta os cheiros e observe a rica fauna humana. Só não vá ficar tão inebriado pelo exotismo a ponto de tirar o olho de sua bolsa ou carteira. O exótico tem lá seu preço.
NÚMERO 93: FLORESTA HI-TECH
Uma onda de reformas em docas abandonadas tomou o mundo nos últimos dez anos. Londres tem suas Docklands; Buenos Aires, a região de Puerto Madero; Lisboa revitalizou as Docas. Belém também fez (bem) a sua parte: a Estação das Docas fez de antigos e degradados armazéns um moderno pólo cultural e gastronômico. Cafés, lojas, teatros, cinemas e restaurantes reúnem visitantes. Duas paradas imperdíveis nas docas: ver o pôr-do-sol na Baía do Guajará, tomando um sorvete, e provar os peixes do Lá em Casa, um dos mais famosos restaurantes paraenses, com quatro endereços na cidade.












