O ponto alto de Campos do Jordão
Há quase quarenta anos, a música clássica é a estrela principal da cidade mais badalada do inverno brasileiro
Matéria publicada na edição 100 (Fevereiro/2008) de Próxima Viagem
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A programação das quatro semanas de julho é quase toda composta de música clássica. Quase: nos últimos anos o festival incorporou outras sonoridades (como o jazz) e manifestações (como o balé). Inspirado em iniciativa semelhante numa cidadezinha dos Estados Unidos, o festival começou em 1969. Tímido no início, aos poucos foi formando público e palco próprios. Hoje, é o maior evento de música clássica do país. Nelson Freire, Tom Jobim, Fernando Bujones, Aprile Milo e Antônio Meneses são alguns dos nomes que foram a Campos do Jordão e circularam na cidade em invernos passados.
As apresentações mais concorridas acontecem no Auditório Cláudio Santoro, mas há música nas igrejas, nas praças de Capivari e Abernéssia e no Palácio Boa Vista, com preços populares ou de graça, a céu aberto. E é assim que muita gente tem contato com a música clássica ao vivo pela primeira vez. Mesmo que, horas depois de uma plácida apresentação de um quarteto de cordas, surja no mesmo lugar um DJ de techno.
O inverno de Campos acolhe também outras sonoridades, principalmente as que seduzem a turma dos 18 aos 30 anos. É na Cervejaria Baden-Baden que tudo começa. Há mais de vinte anos, ela fincou sua bandeira no bairro de Capivari, quando Campos do Jordão deixava de ser só um sossegado retiro de inverno. Desde então, virou o centro gravitacional do inverno. Nas mesas da Baden- Baden saem os rumos da noite, combina-se a balada e acompanha-se a derivação das tribos que circulam na cidade. Quem não se interessa pelas migrações noturnas pode aproveitar o chá da tarde servido no Baronesa Café, longe do movimento, com direito a uma vista exuberante da Pedra do Baú. A trilha sonora comprova o bom gosto musical de Campos do Jordão: tem Sinatra, Beatles, Cole Porter e outros "clássicos" modernos.
NÚMERO 84: LAREIRA SIM, TRÂNSITO NÃO
Campos do Jordão é linda, tem arquitetura charmosa, pousadas sofisticadas e quitutes que confortam a alma. Mas, convenhamos, não é o lugar mais tranqüilo para passar as férias de inverno. Por sorte, cidades vizinhas e sossegadas na Serra da Mantiqueira também contam com pousadas de charme, com direito a lareira, ofurô e mimos em geral. Dá para se hospedar em uma cidade - como São Francisco Xavier (SP) ou Gonçalves (MG) - e sair sem rumo definido pelas estradas menores que serpenteiam pela serra.












