A caminhada mais radical do Brasil
O trekking do Vale do Pati, na Chapada Diamantina, é para os fortes. Mas dá para ver as belezas locais com pouco esforço
Matéria publicada na edição 100 (Fevereiro/2008) de Próxima Viagem
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Conhecer o Parque Nacional da Chapada Diamantina, com 152000 hectares de área (tamanho da cidade de São Paulo), é para quem tem fôlego. Há passeios mais suaves, mas a experiência de percorrer a pé seu sobe-e-desce de pedras e vales verdes faz toda a diferença. O ideal é deixar sua bagagem principal hibernando numa das cidades de acesso - Lençóis, Mucugê, Igatu e Rio de Contas - e partir o mais leve possível.
Nas caminhadas longas, chega-se a locais praticamente intocados, como as cachoeiras Do Funil e do Lajeado, o Cachoeirão (uma seqüência de 17 quedasd'água), o Morro do Castelo, a Gruta dos Morcegos e a Ladeira do Império, um antigo caminho de tropeiros. Os roteiros maiores, como o do Vale do Pati, têm trechos de pura exaustão - há puxadas de 20 quilômetros num só dia, e dias de menos quilometragem, mas muita subida por terreno difícil. As paradas acontecem em vilarejos isolados, onde os forasteiros descansam os pés, tomam um revigorante (e inevitável) banho frio, jantam com os locais - arroz, feijão tropeiro, pimenta, palma cozida, carne-seca, pimenta, godó de banana e mais pimenta antes da goiabada com queijo - e dormem. Para quem percorre a Chapada Diamantina do jeito mais radical, o caminho acaba importando mais que o encontro com os pontos mais conhecidos da região, que podem ser visitados esticando a estada em Lençóis. Quem caminha a Chapada Diamantina pelo Vale do Pati termina a jornada renovado. Não à toa, o trekking é apelidado de "Caminho de Santiago brasileiro".
NÚMERO 73: A VERSÃO LIGHT DA CHAPADA
Não é preciso ser campeão de resistência para conhecer a Chapada Diamantina. Cada vez mais estruturada para receber visitantes, a região tem agências que levam às atrações mais conhecidas em jipes e vans. É claro que um pouco de esforço será sempre bem-vindo - ir à Chapada Diamantina e perder o pôr-do-sol do Morro do Pai Inácio, grande mirante da região a 1150 metros de altura, seria um desperdício. Também não dá para ir ao Poço Encantado sem se mexer: para chegar lá, é preciso descer uma escada apoiado em cordas.
Se você quer algo realmente light na Chapada Diamantina vai se realizar também. De carro, chega-se a Igatu, antiga Xique-Xique de Igatu, com ares de cidade fantasma. As moradas de pedra que abrigavam mais de 4000 pessoas no garimpo ali existente há 100 anos hoje abrigam três centenas de moradores. As estradas também levam a Andaraí (famosa pela sorveteria Apollo) e a Mucugê. Depois de uma hora de estrada, saindo de Lençóis, chega-se à mais nova jóia descoberta no pedaço: os dezoito sítios arqueológicos da Serra das Paridas. Só num desses sítios há mais de 1.000 desenhos de animais e cenas cotidianas, ainda não datados. As pinturas foram descobertas por causa de um grande incêndio que atingiu a Chapada Diamantina há quase três anos e virou programa obrigatório para os que dispensam os longos trekkings. Num estranho revés da natureza, a queimada acabou sendo beneficente para a região.












