A onda mais comprida do mundo
Surfar a pororoca é para poucos. Mas, perto de São Luís, no Maranhão, é possível vê-la com segurança
Matéria publicada na edição 100 (Fevereiro/2008) de Próxima Viagem
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Os surfistas, que correm o mundo atrás da onda ideal e se enfiam até nas águas geladas da Islândia por pura adrenalina, de cara se encantaram com a onda de água doce. Mas era preciso achar um pico ideal. A violenta pororoca do Amapá só aparece depois de doze horas de barco. O Pará tem boas ondas surfáveis nas ilhas próximas de Marajó, mas por pouco tempo. Já Arari tem o período mais longo de pororoca, de março a maio e de agosto a setembro, nas noites de lua nova e de lua cheia, quando ocorre a maré de sizígia, a mais alta.
Para ver a pororoca não é preciso ser surfista, mas um certo espírito desbravador é muito bem-vindo. Além de acontecer em locais de difícil acesso, o fenômeno não tem dia e hora certa para chegar (sabe-se apenas que provavelmente virá com as condições de que já falamos). Mas, quando acontece, é impossível ficar indiferente. Primeiro, há uma estranha calmaria e até os animais se aquietam. Em seguida, um forte estrondo anuncia o encontro das águas do mar com as do rio e a entrada dessa corrente no continente, a uma velocidade que pode chegar a 40 quilômetros por hora. Quem vive na região amarra com firmeza seus barcos e procura um lugar seguro para ficar nas próximas duas ou três horas, tempo de duração da pororoca. Quem vem para surfar cai na água atrás da "onda mais comprida do mundo". Quem vem para se encantar fica boquiaberto.
NÚMERO 71: PEIXE BOM DE BRIGA
Plataforma oceânica não interessa apenas aos caçadores de petróleo. Os fãs de pesca esportiva estão sempre atrás de uma plataforma ideal - e poucas no mundo se equiparam ao Royal Charlotte Bank, no litoral sul da Bahia. Considerado um dos melhores pontos para pesca de marlim-azul do mundo, o trecho próximo de Canavieiras tem uma queda brusca de 50 metros para quase 1.000 metros de profundidade. A vida marinha abunda, com cardumes do ágil marlim-azul, peixe que chega a 200 quilos e é conhecido por sua velocidade e força.
De outubro a março, centenas de estrangeiros e brasileiros aportam à região, dos resorts luxuosos de Santo André (ao norte de Porto Seguro) às exclusivas casas de veraneio da Costa do Cacau. A bordo de lanchas com mais de 30 pés, os pescadores saem cedo atrás não apenas dos marlins, mas também de cavalas, dourados e atuns, peixes que também provocam um grande repuxo - e a emoção do esporte. E não é preciso experiência. "Quem nunca pescou também pode participar", garante o capitão Thiago Felzen, que trocou Ilhabela por Canavieiras e comanda os barcos da Artmarina. "As instruções são dadas na lancha mesmo, e dão início a um dia inesquecível". O aluguel de um dia de barco para quatro passageiros custa, em média, 2.500 reais.
ARTMARINA - tel. (73) 3284-1262,












