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Próxima Viagem > Fevereiro/2008 > Com o coração na boca

Fazendo sombra na Serra da Canastra

Se voar de balão já é uma experiência incrível, imagine fazê-lo numa região de colinas, cânions e lobos-guará

Matéria publicada na edição 100 (Fevereiro/2008) de Próxima Viagem


Valdemir Cunha

Antes da subida, o balão é inflado com ajuda de maçarico

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A imagem de um balão no céu evoca grandes aventuras, como aquelas narradas por Julio Verne ou, mais recentemente, por milionários excêntricos dando a volta ao mundo. Se já é romântico para quem vê do solo, quem tem a chance de voar num balão apaixona-se. No Brasil, há poucos roteiros fixos de balonismo, concentrados sobretudo no interior de São Paulo, na região de Boituva e Piracicaba. Mas existem ocasiões especiais em que é possível conhecer de balão a Serra da Canastra, no sul de Minas Gerais.
Do alto, voando lentamente, a menos de 30 quilômetros por hora, aparecem de maneira suave, na paisagem, as chapadas, o cerrado e os capões de mato. Algumas cenas se destacam mesmo à altura do vôo, que varia de 100 a 500 metros: a cachoeira Casca d'Anta, mesmo com 186 metros, fica pequenina, como se fosse uma torneira vista por gigantes. Os cânions da Serra da Babilônia revelam piscinas naturais. As nascentes do Rio São Francisco, razão principal da existência do parque, parecem meros filetes de água. Mais de perto, a contrastar com a paisagem imóvel, emas e lobos-guará correm, acompanhando a sombra do balão.

Os vôos acontecem pela manhã, bem cedo, antes das 8h30 da manhã, para evitar as correntes de ar quente. Também é preciso estar atento ao tempo - dia claro, boa visibilidade e ventos fracos são a tríade para o vôo perfeito - e ao terreno. No caso da Canastra, todo cuidado é pouco: em regiões montanhosas, podem acontecer fenômenos como o rotor mecânico (uma corrente giratória formada após a batida no topo de uma montanha), a onda de montanha (uma oscilação que acontece entre colinas) e a térmica (corrente de ar quente que desestabiliza o balão).
Em Boituva (SP), centro informal do balonismo no Brasil, o relevo não oferece tantos problemas, e a estabilidade do clima ajuda a atividade. Nos meses mais secos, o domingo é sagrado: antes das 6 da manhã, as equipes já estão a postos, estendendo o envelope (nome dado ao tecido que contém o ar quente) e, em seguida, enchendo-o com maçarico e ventilador. Quando o balão está pronto, quase a ponto de sair sozinho, os tripulantes entram no cesto de vime, um acessório que continua igual ao dos primórdios do balonismo, no século 18. Depois, uma equipe de apoio solta as amarras que seguram o balão e, impulsionado pelo ar quente, ele sobe e segue o rumo do vento.

Iniciar-se no balonismo não é algo que se decide de uma hora para outra. É preciso, antes, fazer contato com uma empresa de balonismo e aguardar a oportunidade de voar. Os passeios duram cerca de uma hora e custam aproximadamente 300 reais por pessoa. Há empresas de balonismo em outros pontos do Brasil, como em Curitiba e Maringá (PR), Serra das Moedas (MG), Caldas Novas (GO), Rio de Janeiro (RJ) e Torres (RS). São vôos mais tranqüilos, perfeitos para quem quer começar. Assim, quem quiser ver a Canastra do alto já tem por onde começar.

AIR BRASIL BALONISMO - Av. Pádua Dias, Piracicaba, tel. (19) 3434-6438, www.balonismonoar.com.br