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Próxima Viagem > Fevereiro/2008 > Com o coração na boca

O universo paralelo de Noronha

Mergulhar nas águas mornas do espetacular arquipélago pernambucano é uma experiência quase mística

Matéria publicada na edição 100 (Fevereiro/2008) de Próxima Viagem


Em Fernando de Noronho, a caminhada mais bonita leva à Baía do Sancho

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Quem mergulha costuma dizer que o mundo existe em outra dimensão - e só no fundo do mar é possível vê-lo. Se a experiência já é entusiasmante em qualquer ocasião, em Fernando de Noronha ela é transcendental. O arquipélago, 545 quilômetros ao largo do Recife, é o melhor ponto de mergulho do Brasil e um dos melhores da América Latina. A visibilidade é sempre superior a 30 metros (exceto de janeiro a março) e a temperatura da água dificilmente sai dos 27 graus. Há batismos e cursos para diferentes níveis de mergulhadores - inclusive aqueles que nunca botaram a cara na água.

Nada disso, porém, significaria muita coisa se Noronha não contasse com o principal: a riqueza da vida marinha. Qualquer canto parece ter saído da prancheta dos criadores do filme Procurando Nemo. Preservadas como Parque Nacional Marinho, as águas de Noronha abrigam milhares de espécies, de pequenos crustáceos e anêmonas coloridas a gigantes como tartarugas-de-pente, barracudas, budiões e arraias. Há tubarões também (principalmente da espécie cabeça-de-cesto), e eles não são de cinema: agem tranqüilamente na presença humana.

Fernando de Noronha tem dezesseis pontos de mergulho, seis deles para inexperientes, com profundidade máxima de 13 metros, e quatro de nível avançado, onde é possível chegar a 63 metros (na Corveta V 17). Os entendidos no assunto apontam o mergulho em Pedras Secas (nível intermediário) como o mais fascinante de todo o arquipélago. Para chegar lá, seja no nível intermediário, seja em Pedras Secas, é preciso contatar uma das três operadoras de mergulho da ilha. O batismo custa a partir de 225 reais e a saída de mergulho sai por 200 reais.
Com a vantagem de custar menos (R$ 80) e durar mais que um batismo (50 minutos contra 30 minutos), o plana sub é um mergulho mais light, criado na própria ilha. Nele, a pessoa é rebocada por um barco, segurando uma prancha de acrílico e usando máscara e snorkel. Nessa espécie de esqui aquático em câmara lenta, você fica deitado no mar e tem liberdade para descer ou ficar sobre a água, observando a vida marinha sem fazer esforço. Os mais sortudos podem até contar com a presença relativamente próxima dos golfinhos rotadores, famosos pelas piruetas. Mas, para vê-los em Fernando de Noronha, é mais fácil fora da água: basta ir à Baía dos Golfinhos. Se não estiver chovendo, haverá show garantido. Ao vivo, do fundo do mar para a superfície.

ÁGUAS CLARAS - tel. (81) 3619-1225, aguasclarasfn.com.br
ATLANTIS - tel. (81) 3619-1371, www.atlantisnoronha.com.br
NORONHA DIVERS - tel. (81) 3619-1112, www.noronhadivers.com.br
PLANA SUB - tel. (81) 3619-1365, www.planasub.com.br

NÚMERO 68: OS MELHORES CAMINHOS DA ILHA


Nada de resort pé-na-areia ou motorista que deixa você na praia. As trilhas de Fernando de Noronha, algumas bem selvagens, é que conduzem às paisagens mais belas. Quem viaja a Fernando de Noronha precisa fazer pelo menos três caminhadas. A primeira tem duração média de duas horas e passa por três praias (do Bode, Quixaba e Cacimba do Padre), com direito a um mirante no Bode e a vista de catraias (parentes dos pelicanos) pescando no mar. À chegada, a Ilha Dois Irmãos brinda a paisagem (foto). Uma outra trilha, mais curta, leva à Baía dos Golfinhos, outro espetáculo da natureza que Noronha oferece.
A mais bela caminhada é a que leva à Baía do Sancho. Fechado por paredões de pedra, o Sancho é acessível por uma escada íngreme, de 40 metros de altura, que passa por dentro de uma rocha. Pode parecer meio assustador, mas depois de avistar a beleza da Baía do Sancho lá de cima, com os Dois Irmãos (agora sob outro ángulo) banhados pelo azul mais belo que você já viu, dá para descer sonhando.