A exuberância do Pantanal
Duas estradas selvagens cortam regiões diferentes do Pantanal Mato-grossense
Matéria publicada na edição 100 (Fevereiro/2008) de Próxima Viagem
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Duas estradas permitem a exploração do Pantanal. Em Mato Grosso, a Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, tem 150 quilômetros. Na época seca, você vê os animais nos lagos ao redor da pista, ou cruzando a própria - daí a recomendação de dirigir bem devagar. Nas cheias, o calçamento ajuda a evitar derrapagens, mas alguns trechos alagam. Na Estrada-Parque do Pantanal, aberta ainda nos tempos do marechal Rondon, a travessia de 120 quilômetros acontece entre Buraco das Piranhas e Corumbá (MS).
Para ajudar nas cheias, antigas pontes de madeira surgem a todo tempo: são 87, algumas em estado precário. Na seca, no entanto, é que a proximidade com os animais acontece.
O grande barato do Pantanal é justamente curtir esse zoológico ao vivo e sem fronteiras. Bandos de araras, tucanos, tuiuius, periquitos, garças e tantos outros estão sempre à vista. Veados e capivaras pastam tranqüilamente, mesmo quando dividem terreno com onçaspintadas, lobos, sucuris e jacarés - e esses existem aos montes.
Dividindo espaço com os animais nativos, há grandes rebanhos de gado. São eles os responsáveis indiretos pelo tipo de hospedagem que mais aproxima o visitante do Pantanal: a estada numa fazenda pantaneira. Ao mesmo tempo em que desfrutam da paisagem, fazem passeios para avistar animais ou percorrer os rios da região, os hóspedes podem acompanhar a lida com o gado - há, inclusive, a opção de acompanhar uma comitiva de peões. Os gringos piram. Os brasileiros se orgulham.
NÚMERO 60: SAFÁRI À BRASILEIRA
Safári fotográfico é uma modalidade de passeio em moda nas savanas da África há décadas, desde que o safári original, de caçada, deixou de ser coisa de gente de boa índole. As vastas extensões planas do Pantanal, secas de maio a setembro, são terreno para o mesmo tipo de atividade. O passeio começa bem cedo, junto com o nascer do sol, a bordo de jipes, e dura pouco mais de uma hora. Os guias indicam os melhores ângulos e locais para fotos. Mas, em vez de leões e elefantes, as câmeras miram milhares de pássaros, jacarés, veados, capivaras, tamanduás e cobras. Com sorte, mas uma sorte de prêmio da Megasena, pode ser até que uma onça apareça no caminho. Por isso, nem vale a pena ficar procurando rastros do maior felino das Américas: curta os outros bichos. Eles valem a foto.












