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Próxima Viagem > Fevereiro/2008 > Volta ao mundo

Onde o instinto animal aflora

Conheça lugares em que a interação com os bichos faz a diferença - e pode até revelar paisagens

Matéria publicada na edição 100 (Fevereiro/2008) de Próxima Viagem


RICARDO ROLLO

A cavalo: a melhor maneira de explorar as coxilhas gaúchas


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NÚMERO 48: OS CAVALOS DE APARADOS DA SERRA


Para conhecer a região dos campos de cima da serra, no Rio Grande do Sul, a melhor companhia é um cavalo. Em roteiros que podem durar de dois a sete dias, os cavaleiros percorrem uma das regiões mais frias do Brasil e atravessam coxilhas, passando por riachos, pequenas quedas-d'água, bosques de araucárias e fazendas de gado. Hospedam-se em pousadas locais, comem churrascos feitos na vala e, claro, tomam muito chimarrão. O final é apoteótico: os cavalos chegam até os Aparados da Serra, onde fica o cânion do Itaimbezinho.
CAMPO FORA - tel. (54) 3278-1454, www.campofora.com.br

NÚMERO 49: AS TARTARUGAS DA PRAIA DO FORTE


Muito antes de todo mundo falar sobre preservação no país, os pioneiros do Projeto Tamar já fincavam suas bandeiras no litoral brasileiro, na virada dos anos 70/80. Foi na Praia do Forte que a organização fez sua sede, hoje uma das maiores atrações do litoral ao norte de Salvador. Grandes tanques abrigam tartarugas de tamanhos variados e há explicações sobre as cinco espécies encontradas no Brasil. A liberação dos filhotes, quando as tartaruguinhas rompem os ovos e correm para o mar, acontece no verão, e pode ser vista pelos visitantes sortudos. A vocação ecológica da vila deu frutos: a Praia do Forte é também sede do Projeto Baleia-jubarte, que organiza passeios de observação de julho a outubro.
PROJETO TAMAR - tel. (71) 3676-1045, www.tamar.org.br
PROJETO BALEIA-JUBARTE - tel. (71) 3676-1463, www.baleiajubarte.com.br

NÚMERO 50: OS BICHOS DA FAZENDA EM LAGES


O turismo rural praticado no interior de Santa Catarina, perto da cidade de Lages, vai muito além da idéia generalizada de um hotel-fazenda. Ali, os hotéis costumam inserir os hóspedes na rotina (normalmente, de criação de gado). Assim, você começa o dia com a ordenha das vacas, cavalga pela fazenda com os peões e, depois do farto jantar, participa de uma roda de conversa, com fogueira e pinhão.

NÚMERO 51: OS PÁSSAROS DA SERRA DA CAPIVARA


O homem pré-histórico já prestava atenção à fauna da Serra da Capivara. As mais de 30.000 pinturas rupestres que estão dentro desse parque nacional, na caatinga do sul do Piauí, registram principalmente danças e rituais humanos, além de mamíferos e pássaros. Tudo foi pintado milhares de anos atrás nos enormes paredões, que ainda apresentam surpreendente clareza. Mas quem visita a Capivara deve vir munido de binóculo: há 220 espécies de pássaros no parque, de um total de 530 registradas em toda a caatinga. As andorinhas dão espetáculo diário, ao descerem em mergulhos velozes pelos paredões dos cânions. A velocidade se justifica: elas são presas fáceis do falcão cauré, que pode voar a até 180 quilômetros por hora. Em outro ponto da cadeia alimentar, vivem ali também o exótico cancão (de belíssimo penacho vermelho e grandes olhos amarelos), a casaca-de-ouro (cor de fogo), o corrupião, a corujinha solitária...

NÚMERO 52: OS LOBOS-GUARÁ DO CARAÇA


Os lobos-guará que vivem no Santuário do Caraça, a 120 quilômetros de Belo Horizonte, têm uma desconfiança que é instintiva. Há anos, eles repetem o ritual diário de receber alimentos dos padres do Santuário de Nossa Senhora Mãe dos Homens, fundado em 1775. Mesmo assim, chegam de mansinho, parecem amedrontados. Depois, saem em silêncio. Assistir ao jantar dos lobos é um dos privilégios do Caraça, que fica num grande parque em zona de transição entre a Mata Atlântica e o cerrado, com muitas coisas para se fazer na natureza. Trilhas de diferentes níves de dificuldade levam a cachoeiras e a grandes formações rochosas. O risco de topar com um lobo-guará no meio do caminho, de surpresa, é pequeno: eles são animais tímidos mesmo.

NÚMERO 53: OS PIRARUCUS DE RIO QUENTE


O Rio Quente Resorts (GO), maior resort do interior do Brasil, tem dois parques grandes e distintos. Um é o Hot Park, com tobogãs e outros brinquedos nas águas quentes, tudo acessível por um ingresso. O outro é o Parque das Fontes, fechado somente para hóspedes e menos muvucado que seu vizinho. É nesse segundo que, num imenso lago próprio para mergulho, enormes pacus (de até 80 centímetros!), pirarucus e carpas vivem tranqüilamente e podem ser observados bem de perto durante o mergulho. Detalhe: em confortáveis 37 oC.