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Momento sagrado

Não é preciso ser devoto para participar dos roteiros religiosos brasileiros

Matéria publicada na edição 100 (Fevereiro/2008) de Próxima Viagem


A Cidade Alta, em Porto Seguro: catolicismo nos primórdios do Brasil


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NÚMERO 2: A MISSA SINCRÉTICA DO PELOURINHO


Quem entra para o serviço das 18 h de terça-feira na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, em Salvador, nota que tudo é muito diferente. A batina do padre tem desenhos afro. Os atabaques ecoam pelas centenárias paredes, junto com canções de inspiração africana. Na homilia, ou sermão, o padre fala do continente negro. Sentados nos bancos, muitas pessoas usam trajes iguais aos que vestem no terreiro. A missa das terças no Pelourinho é o retrato mais bem acabado do sincretismo religioso (quando elementos de duas ou mais religiões se encontram) de Salvador. Seu palco não poderia ser mais adequado: a igreja levou quase 100 anos para ser construída, de 1704 a 1796, já que os escravos que a fizeram só podiam trabalhar no (pouco) tempo livre que tinham. Em tempo: chegue mais cedo para pegar um lugar junto ao corredor e apreciar a passagem das oferendas.

NÚMERO 3: OS COLORIDOS TERREIROS DE SALVADOR


Quem viaja a Salvador perto de alguma das grandes festas - a Lavagem do Bonfim, em janeiro, ou Iemanjá, em 2 de fevereiro - pode se aproximar dos ritos do candomblé em grande escala. Mas é possível também assistir às festas nos terreiros de candomblé da cidade em outras épocas do ano. O mais famoso é o Gantois (Alto do Gantois, 23, Federação, tel. 71/ 3331-9231), regido por décadas por Mãe Menininha. Ele abre de terça a sábado, das 10 h ao meio-dia e da 1 h às 5 da tarde.

NÚMERO 4: O PRIMEIRO MARCO RELIGIOSO DO BRASIL


Os portugueses escolheram muito bem o local para rezar a primeira missa em solo brasileiro (ou pelo menos assim a história registrou): em 26 de abril de 1500, fincaram uma cruz na areia fofa de Coroa Vermelha, em Santa Cruz de Cabrália. Mas foi alguns quilômetros abaixo, no que é hoje a Cidade Alta de Porto Seguro, que eles resolveram marcar a posse do novo território. E lá construíram, ao longo das décadas e séculos seguintes, uma grande igreja e um colégio jesuíta, uma cadeia, a sede administrativa e algumas moradas. Apesar de não ser o sítio exato da primeira missa, uma cruz marca o local. Hoje, a Cidade Alta é a mais bela (e tranqüila) atração de Porto Seguro: do alto da falésia, há uma bela visão da costa.

NÚMERO 5: AS RUÍNAS DE SÃO MIGUEL DAS MISSÕES


Foram sete as missões de padres jesuítas na região de fronteira entre o Rio Grande do Sul, a Argentina e o Uruguai, nos séculos 17 e 18. A intenção era catequizar os índios guaranis e, para isso, os padres católicos ergueram grandes igrejas e cruzes.
Dessa incursão corajosa restaram, em São Miguel das Missões, as ruínas da antiga Igreja de São Miguel (1687). Ela é hoje Patrimônio Histórico e Cultural pela Unesco.
Quando anoitece, um espetáculo de luzes dá vida à construção, junto com um show ao ar livre que conta a saga dos padres e dos nativos.

NÚMEROS 6 e 7: ALEIJADINHO E SUAS OBRAS


Tem gente que faz de tudo para ver de perto uma estátua de Rodin, mas nunca se aproximou da obra de Aleijadinho. Sem querer desmerecer o mestre escultor francês, os trabalhos do artista do barroco mineiro Antônio Francisco Lisboa (1730-1814) não ficam nada a dever. A grandiosidade é ainda mais evidente na (6) Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas.
Os doze profetas esculpidos em pedra-sabão desafiam o tempo e os visitantes com as expressões que parecem de vivos. Em Ouro Preto, Aleijadinho foi autor do projeto da (7) Igreja de São Francisco de Assis e esculpiu, entre outras coisas, o belo lavabo da sacristia. Colado nessa igreja fica o museu dedicado ao artista.

NÚMERO 8: O MAIOR TEMPLO BUDISTA DA AMÉRICA LATINA


Parece clichê, mas é a mais pura verdade: impossível não ter uma enorme sensação de paz ao entrar no Templo Zu Lai (acesso pelo km 28 da rodovia Raposo Tavares), em Cotia (SP). O maior da América Latina, com 10000 metros quadrados de muito verde, ele tem locais para meditação, jardins, cafeteria e livraria. De terça a domingo, após o meio-dia, há sempre um monitor disposto a explicar um pouco do budismo aos visitantes. Vá com roupas adequadas, sem animais, alimentos ou bebidas alcoólicas, e purifique-se - se não com a religião, pelo menos com o ar e a paisagem.