A Liberdade japonesa
O passeio no bairro oriental paulistano revela a herança de um século de imigração
Matéria publicada na edição 100 (Fevereiro/2008) de Próxima Viagem
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Foram muitos os reveses atravessados pelos japoneses - que dos quase 800 iniciais viraram 800.000 no decorrer do século 20. Mas o Bairro da Liberdade é, hoje, testemunho e prova do insuperável legado dessa cultura na cidade de São Paulo. A melhor maneira de conhecer essa herança é ir aos domingos pela manhã à Liberdade. Depois de atravessar o Torii, o portão vermelho que é a entrada do bairro, siga para a Praça da Liberdade, onde acontece uma feira de produtos orientais. Se chegar bem cedo, antes das 7 h, vai testemunhar o tai chi chuan ao ar livre, feito por legítimos imigrantes, nisseis (filhos de japoneses) e sanseis (netos).
Depois da feirinha, vale a pena visitar a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (chamada bunkiô pelos descendentes), onde fica o Museu da Imigração. Nele, há uma relíquia do Kasato Maru, navio que trouxe a primeira leva de imigrantes, oriundos de Kobe. A saga do navio é também de derrotas e vitórias: construído pelos ingleses em 1900, ele afundou duas vezes e foi recuperado do fundo do mar, em 1904 e em 1917. Sua última aparição, em 1945, foi durante a Segunda Guerra, quando foi novamente afundado - dessa vez para sempre.
Quando chegar a hora do almoço, corra para a Rua Tomaz Gonzaga (aji no suzuran dôri, rua do sabor, em japonês). São muitas as casas com ótimos sushis, sashimis e também restaurantes de outras cozinhas orientais. Se sobrar tempo, dê um pulo à Livraria Sol, na Praça da Liberdade: ela vive lotada de jovens em busca do que há de mais novo em mangás e na moderníssima cultura japonesa. A Liberdade é assim: o velho e o novo vivem se encontrando, para reinventar o presente.










